2 de julho de 2011

Seus olhos e seus olhares, milhares de _en_ações.

Olhos, olhares, bocas e sorrisos... meios e formas de expressar a alma sem precisar de palavras.
Os olhos... são a porta. A porta pro paraíso de sentimentos e sensações que habitam o interior de cada um e, pra controlar as visitas a esse paraíso, os olhares são considerados guardiões – porque olhares são os cadeados da alma.
Como todo bom cadeado que guarda algo importante, há enigmas a serem solucionados em todos eles e só após solucionar o mistério de cada um é possível encará-los sem hesitar. Antes disso, não tem como tentar penetrar a fortaleza que há além dos olhos. Olhares fixos, por exemplo, podem ser desafiadores. Olhares desviados são sofridos, estão relacionados com se afastar – alguns precisam que se afaste mesmo que não queiram, outros apenas exigem distância, enquanto olhares brilhantes são convites pra de aproximar.
Mas mergulhar em olhares sem decifrá-los é sinônimo de, provavelmente, se perder no encantamento dos olhos em questão. Pra tentar evitar (ou provocar) acidentes do tipo, a boca se expressa, dando dicas do que os olhares estão querendo dizer.
Ah, a boca... outra perdição; pura magia – às vezes negra. Movendo poucos músculos é possível hipnotizar desavisados. Um suspiro, um sorrisinho tímido, de canto, e então aquele belo sorriso, quase que de satisfação... e o paraíso se abre. Sorrisos são o convite de entrada pra alma. Eles vão dizendo, aos poucos, o quanto se pode aproximar dos olhos e, quando finalmente se abrem por completo, é a simples mensagem de: “Essa é sua deixa, entra agora que os olhos estão sorrindo também, porque isso deixa os olhares vulneráveis e suscetíveis a invasões. Vem, entra sem medo. Devagar, cautelosamente... mas sem medo.’
E, não necessariamente sendo sinceros, os sorrisos conseguem persuadir. São perigosos, podem passar pistas falsas – coisa que a pureza dos olhos jamais faria. Não se pode confiar em sorrisos isoladamente, por mais lindos e encantadores que sejam, pois estes sempre apontam o caminho, mas nem sempre será o caminho certo – convenhamos, a boca é altamente contaminável, nem tudo o que entra nela é positivo. Assim as coisas que saem também tem chance de não o serem, e elas saem, também, nos sorrisos.
Por isso que a alma é tão rica. Ela é um conjunto! Não há como penetrá-la sem passar pelos olhos, que são controlados pelos olhares. Os olhares têm de ser decifrados por sorrisos, que são controlados pela boca, que nem sempre é pura no que expõe. Dessa forma, deve-se julgar a sinceridade (ou não) de um sorriso pela inocência no olhar, pela essência do que os olhos mostram.
Após passar por cada uma dessas etapas, está trilhado o caminho entre o exterior e o interior da alma. Um caminho lindo, caso os olhares não neguem qualquer contato tentado, bloqueando a passagem pra alma. Caminho, este, que parece longo, árduo... mas que, quando o coração dispara o tiro de partida, é percorrido em tempo recorde: uma fração de segundo. E, antes mesmo que os olhos ousem piscar, tentando confundir aqueles que tentam penetrar seus olhares, a alma já foi invadida e dominada e o paraíso está sendo conquistado.