(dá play aqui antes de começar a ler)
O café (com leite) que eu esqueci de tomar deixou na minha boca o gosto dos beijos que eu deixei de entregar. Mas eu tomei mesmo assim - pra lembrar de não deixar acontecer mais e não desperdiçar (nem o café e nem os beijos).
Já o pão de queijo - trazido de Minas Gerais e recém saído do forno - trouxe o cheiro do abraço com nuances de saudade. Saudade boa, daquelas que a gente mata que nem mata fome: com grandes porções (de amor, principalmente).
Na hora do almoço o ronco do estômago fazia coro com o coração - ambos com o mesmo buraco e algo faltando naquele momento. Pra sossegar um, café. Pro outro...
Na dúvida (ou na falta) dos ingredientes necessários, aceitei batata grande por mais um real e troquei a bebida por milkshake.
Sobrevivi até a janta porque o café da tarde esquentou o coração. Tava doce como os beijos que eu não perdi e ao cruzar com meus próprios olhos no espelho vi que eles sorriam comigo. Sorri ainda mais.
Antes de dormir, uns tragos de estragos: até a fumaça ocupa um espaço enquanto dança na minha frente. E dança no ritmo da música que toca na minha cabeça. Aquela, sabe? Aquela que percorre o corpo como o arrepio que vem depois de uma mordida.
Pra acabar o dia, deixo preparado o filtro com o pó na cafeteira pra amanhã já começar bem. Pra hoje espero dormir bem e ter bons sonhos, porque a verdade sobre cafés e você é que dá pra passar o dia sem, mas é bem melhor quando tem. O café eu arrumei e quem sabe assim - pelo menos em sonho - você vem.

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