27 de maio de 2013

A literatura que somos

Cada corpo traz em si um livro
da mais bela literatura
Literatura em braile, sentida na pele,
Literatura que grita em silêncio na alma.

Literatura escrita aos poucos, tecida como um véu,
Literatura decifrada aos poucos, misteriosa como a lua.
Nós temos a literatura, a vivemos.
E nos outros a lemos, os deciframos.

Através de tuas palavras te leio, te aprendo
E a cada verso teu que devoro, te conheço.
Aos poucos sei quem és, aos poucos te decifro,
Degusto letra por letra, aos poucos ilustro teu livro.

Teus olhos me guiam por cada capitulo,
E em teu sorriso encontro a imagem de capa.
A cada palavra te sinto num abraço
Aos poucos descubro o desfecho de ti.

Os livros que somos misturam-se em historias
As vidas se cruzam pra nos enriquecer
Nossa literatura se engrandece com os outros,
Que tomam nosso tempo para nos escrever.

De beijos e abraços sao escritas as historias.
De encontros e despedidas sao os livros de nós.
De tudo o que vivemos, preenchemos bibliotecas
Guardamos no corpo a poesia do viver.

A vida é um livro narrado por nós
E a alma é poesia inspirada nos outros
Na nossa pele a história, no coração a trilha sonora
a mente traz as imagens, guardadas na memória.

A literatura mais bela que há
É a literatura que somos.
É a poesia da alma,
É a prosa que vivemos.