A pouca iluminação parecia desafiadora, ainda mais porque lá fora ainda havia sol. Os dois ambientes, separados apenas por uma porta, pareciam dois mundos opostos - como o céu e o inferno; eram muitas as semelhanças! - e seu objetivo era dominar ambos.
Descobriu, ao se dar conta que chegara no inferno, que ele, o capeta, é como nas histórias em quadrinhos: vermelho! E como era horrível! Um devorador (e depravador) de puras almas. Não suportou, voltou ao céu. Nada demais havia lá, mas o conforto de se afastar do que lhe desgastava tornava o lugar tão aconchegante como o paraíso. Mas era necessário voltar, o tempo era curto, haviam sido claros: Só mais meia hora - e só! Um gole. Não, uma dose! Não seria o suficiente - nunca seria - então desistiu. A não ser que algo mais forte… não, não valia a pena. Uma luta é inválida quando o lutador usa doping, seria falta de lealdade - falta de auto-lealdade, o que é pior. Jogo limpo, tem que ser.
Com sangue nos olhos - um olhar fundo, típico, adrenalina pulsando em cada milímetro dentro do seu corpo e um coração que mal podia conter-se… Foi! Queria pegá-lo (o coração) e arrancá-lo. Qual era sua utilidade? Não parava quieto em momentos assim e isso atrapalhava!
Abriu-se a porta do inferno novamente! Entrou. Por meio instante cogitou hesitar, mas não o transpareceu; marchava com precisão e havia decido, seguiria. E conseguiu. Atravessou cada um dos obstáculos - que não eram poucos - e foi até o fim, à última barreira - aquela que não se combate.
Pouco antes o encontrara, o diabo. Não era onipresente, mas parecia - de tão grande. Toda aquela vermelhidão intimidava, quase amedrontava, mas só se sabia por dentro - há muito aprendera a não exteriorizar suas fraquezas. Encarou-o com firmeza, embora mal pudesse visualizar-lhe os olhos, ficavam longe! Reuniu toda sua força e concentrou-a em um ponto - que, imediatamente, parou.
Acabou, conseguiu. Deixou-se cair, esgotara-se. Fora uma grande batalha, a primeira de muitas. E foi bem a tempo, por sorte. Mal pode recompor-se antes que os ouvisse - os primeiros acordes - e reconhecesse, era o som que tanto esperava: vitória. Ainda não liberdade, por enquanto, mas vitória!
Virou-se e sorriu, havia lutado bravamente. VITÓRIA!
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