26 de agosto de 2013

Eles passarão; paixão, passarinho.


O pensamento dela viaja. Não é amor, mas é. E vai longe a discussão consigo mesma.
Pensa nele, no sorriso, nos olhos... E em tantos outros ~eles~ que a encantam. São tantos encantos, afinal.
Pensa em músicas, filmes, livros. E nele, de novo. 
É paixão, e ela sabe. Simples de identificar. Coração dispara, sorri sem motivo aparente, sente saudade, vontade...
Pensa na amizade. É, são amigos... e é tão bom. Pensa nas conversas, e no carinho, nos abraços, nos beijos. E que beijos!
Se entendem bem, em tudo. As mentes se entendem, os lábios se entendem (conversando, ou se tocando, ou se tocando ao conversarem), os corpos conversam e se encaixam (parecem se dar muito bem, também). O riso se completa. Ele a faz rir, e ri do riso dela. Só riso e sorrisos.
Pensa no carinho. Muito carinho, é o que ela sente. Um sentimento sutil, doce, confiança sendo construída, compartilhando qualidades, defeitos, passado, presente, dia-a-dia (mas nem todo dia). Ter carinho não é caro, enriquece a relação.<
Pensa que gosta de gostar dele e gosta que ele goste de volta. Um gostar simples, sem complicar. Um gostar gostoso. E gosta de tudo, até do que não costumava gostar, gosta até da ausência, da falta. Faz parte.
Pensa na leveza que se tem. Quase insustentável de tão leve, nada pesa, não há gravidade que possa puxar pra baixo o que os faz voar. Voam alto por entre os sonhos um do outro.
O que ela pensa é que voam livres, buscando outros (en)cantos por entre os cantos do céu imenso. E a liberdade os faz ter um no outro um lugar para (re)pousar.
Passarinho sem gaiola (en)canta mais (mas todo passarinho elege uma árvore onde gosta de cantar sempre, sabe que aquelas raízes estarão sempre lá... Como um porto para um barco que viaja).

Canta que é no canto que eu vou chegar, canta o teu encanto que é pra eu me encantar, canta para mim, qualquer coisa assim... Pr'eu poder repousar meu amor.

E o pensamento viaja, voa, leve, livre. Como passarinho.

E de tanto tentar fugir

Aconteceu o que eu mais temia.

Transformei o que me fazia sorrir

Em tudo aquilo que eu não queria.

Tentei escapar mais uma vez

Pedi à paixão que fosse embora

Mas o coração manteve a escolha que fez

Quis voltar a viver a dor de outrora.

Sabe que a dor é o que o faz bater

Ou pelo menos o que faz bater mais forte.

Mesmo que saiba que enfraquece ao doer,

Coração sabe que só bater já é uma grande sorte.

Não quer que pare, por isso se faz machucar.

Quanto mais bate, mais apanha, é a lei.

Coração que não dói não aprende a amar,

Melhor doer do que nada sentir, eu sei.

5 de julho de 2013

pequenez


Pequenina, a menina cabe em todo abraço que quer.
De um tamanho que se ajeita, se encolhe e se encaixa como der.

Pequenina, tão sutil, faz abrigo em qualquer peito,
Encosta e se enrosca, se faz caber de algum jeito.

Pequenina ela, vive na ponta do pé.
Faz do tamanho seu charme, isso que ele é.

Pequenina, tão menina, parece até ser mansa.
É mulher, essa pequena, com jeitinho de criança.
Pequenina, ela linda, não podia ser melhor.
Tua pequenez ajuda o coração a ser maior.
E é tão pequena, tão sutil essa menina.
Grande charme, grande mulher, mas sempre… pequenina.

8 de junho de 2013

Só-risos




Que tu(do) seja sorriso,
que sonhe rindo, riso e só.
Só riso.


Que tu(do) seja alegria,
só risada, sorriso, só risos.
Riso, e só.


Que 'cê só seja riso, sorria,
que dê risada, que ria, sempre.
Só ria.


Que o sol lhe traga risos,
que seu sorriso traga o sol consigo.
Sorria, sol!

Que não ria só (sozinho),
que seja um riso plural (risos).
Ria-se.


E que, se estiver só, ainda assim sorria.
Só ria, sempre, sorriso e riso.

Só risos.

27 de maio de 2013

A literatura que somos

Cada corpo traz em si um livro
da mais bela literatura
Literatura em braile, sentida na pele,
Literatura que grita em silêncio na alma.

Literatura escrita aos poucos, tecida como um véu,
Literatura decifrada aos poucos, misteriosa como a lua.
Nós temos a literatura, a vivemos.
E nos outros a lemos, os deciframos.

Através de tuas palavras te leio, te aprendo
E a cada verso teu que devoro, te conheço.
Aos poucos sei quem és, aos poucos te decifro,
Degusto letra por letra, aos poucos ilustro teu livro.

Teus olhos me guiam por cada capitulo,
E em teu sorriso encontro a imagem de capa.
A cada palavra te sinto num abraço
Aos poucos descubro o desfecho de ti.

Os livros que somos misturam-se em historias
As vidas se cruzam pra nos enriquecer
Nossa literatura se engrandece com os outros,
Que tomam nosso tempo para nos escrever.

De beijos e abraços sao escritas as historias.
De encontros e despedidas sao os livros de nós.
De tudo o que vivemos, preenchemos bibliotecas
Guardamos no corpo a poesia do viver.

A vida é um livro narrado por nós
E a alma é poesia inspirada nos outros
Na nossa pele a história, no coração a trilha sonora
a mente traz as imagens, guardadas na memória.

A literatura mais bela que há
É a literatura que somos.
É a poesia da alma,
É a prosa que vivemos.

22 de março de 2013

Minhas coisas preferidas


Poucas coisas são tão boas
Como as mais simples e delicadas
Corriqueiras como as garoas
Que quase nunca são notadas.

Dançar na chuva, o cheiro do mar
Lembranças de como é bom ser criança
Fechar os olhos no balanço e ouvir o vento soprar
A doce sensação de brincar sem nenhuma cobrança

Receber uma carta, mandar um presente
Escutar um disco deitado no chão
O cheiro do café na água fervente
Abraçar alguém ate sentir o coração.

Chorar de alegria, sorrir com os olhos,
Encontrar em um livro uma grande paixão
Ver formas nas nuvens, sair pra ver fogos
Dormir embalado por uma bela canção

Poucas coisas são tão belas assim,
Como quando deixamos o coração falar,
Olhos nos olhos, "você confia em mim"?
Mãos dadas, risadas, sentar e conversar.

Um sorvete na praça, caneta e papel
Um elogio gratuito, observar o céu.
Acordar cedo de sábado, banho de mangueira,
Talvez ate beber demais e falar e fazer besteira.

As vezes a graça está nos detalhes
Ir ao teatro, um show ou ballet
Pessoas incríveis que conhecemos em bares
Ser feliz com a vida do jeito que é.

As minhas coisas preferidas
São do jeito que tudo deve ser
Prefiro as coisas mais simples da vida
Daquelas que sei que sempre posso ter.