26 de fevereiro de 2014

Coração Renascido

Cruzaram olhares, trocaram sorrisos e então se aproximaram.

Perderam-se em um abraço e por infinitos instantes flutuaram.

O mundo parou, só sobraram eles ali, com aquele perfume bom, o calor dos corpos e os corações batendo forte.

Ao se soltarem e novamente se olharem, ela ainda desacreditava que o havia encontrado assim, por pura sorte.

Hesitou em deixá-lo ir, mas não sabia o que mais podia fazer.

Observou a ida dele, em passos leves e lentos… Parecia também não querer.

E ela, ainda longe do chão em pensamento, não conseguiu reagir, nem chamá-lo de volta ou ir atrás.

E ele, por sua vez, aos poucos sumiu da vista de quem estava lá, sem nem voltar pra um “mas”.

Ninguém mais notara o que havia acontecido ali, só ela ouvia o coração a milhões por hora.

Ninguém mais podia sentir o que ela sentia, mas o perfume e o calor do abraço ainda não tinham ido embora.

De olhos fechados, depois, podia ver aquele sorriso reluzindo em seu olhar.

De olhos fechados, sonhando, queria mais um abraço que nem aquele que a fizera voar.

E agora de olhos abertos, atenta, o que resta é esperar e procurar,

Ele, com aqueles passos leves e aquele perfume doce… Uma hora há de voltar.

18 de fevereiro de 2014

Cooperifa: a rua é nóiz.


Cooperifa é da gente, cooperifa é da rua,
É poesia que exercita a mente
Desse nosso povo que só trabalha e sua.

Cooperifa é nóiz.
Cooperifa é voz.
Cooperifa é a rua gritando: enquanto tivermos palavras nunca estaremos sós.

A rua é nóiz e "nós" somos muito mais.
A rua ta cheia dessa gente que vai lá e faz.
A rua é feita de gente que usa a palavra como arma de paz.
A rua é Cooperifa, e cooperifa é Sérgio Vaz.

E poesia sou eu, é você, é o Emicida, somos todos.
Poesia é um pouco de cada um, e juntos não somos poucos.
Poesia é arte, é protesto, é amor, é rap, é ação.
E essa mistura é um sarau lotado de gente enchendo a mente e o coração.

A periferia ganha força com a cultura marginal,
A poesia mostra sutilmente a realidade nacional,
O que a rua vive não é só o que mostra na novela.
Cooperifa e o rap mostram que cultura também move a favela.

O Emicida canta que fazer rima é a parte mais fácil, no fim das contas
Mas e o povo que não sabe nem o que é rima, fica que jeito?
A Cooperifa é o empurrão que faltava, as mentes já estavam prontas,
Depois de conhecer a poesia, a periferia se enche de novos poetas arrancando versos do peito.

A rua tem poesia espalhada por postes, placas e muros,
A poesia tem a rua em cada estrofe, em seus versos mais puros.
O rap mistura a rua e a poesia enchendo de cultura onde antes havia furos.
E a cooperifa ajuda a trazer o amor à literatura até aos corações mais duros.

Agradeço ao rap e ao rappers, à poesia e ao poeta.
Agradeço ao Emicida, à Cooperifa e ao Sérgio Vaz.
Agradeço porque isso é o que me faz sentir completa.
Agradeço pela inspiração, pelo amor e por cada sentimento bom isso tudo me traz.

Cooperifa é rua, e a rua é nóiz.
Enquanto tivermos as palavras, nunca estaremos sós.